Ana Paula Aparecida Vieira

Psicóloga Clínica em Itapetininga | CRP 06/217114

Criança ou adolescente em ambiente escolar representando sinais emocionais de bullying na escola

Nem sempre crianças e adolescentes conseguem dizer que estão sofrendo bullying. Muitas vezes, as mudanças aparecem primeiro no comportamento, no corpo e na relação com a escola.

Bullying na escola: sinais emocionais que não devem ser ignorados

Nem sempre uma criança ou adolescente chega em casa e diz: “Estão fazendo bullying comigo.”

Muitas vezes, o sofrimento aparece primeiro por meio de pequenas mudanças.

A criança que gostava de ir à escola começa a pedir para faltar. O adolescente que conversava sobre os colegas deixa de mencionar os amigos. A irritabilidade aumenta. As dores de barriga aparecem justamente pela manhã. O material escolar começa a “sumir”. A autoestima muda.

E os pais podem perceber que alguma coisa está diferente sem conseguir entender exatamente o que aconteceu.

Por isso, conhecer os sinais de bullying na escola pode ajudar a identificar situações que a criança ou o adolescente ainda não consegue contar.

O que é bullying?

Bullying não é qualquer discussão ou desentendimento entre colegas.

Conflitos podem acontecer durante a convivência escolar e fazem parte das relações humanas.

O bullying envolve comportamentos agressivos ou humilhantes que se repetem e podem colocar uma criança ou adolescente em uma posição de vulnerabilidade diante de outro aluno ou de um grupo.

Pode aparecer por meio de:

  • apelidos ofensivos;
  • humilhações;
  • provocações repetidas;
  • exclusão intencional;
  • ameaças;
  • agressões físicas;
  • comentários sobre aparência, corpo ou características pessoais;
  • exposição ou ridicularização diante dos colegas;
  • boatos;
  • mensagens ofensivas ou constrangedoras pela internet.

Quando isso acontece repetidamente, a escola pode deixar de ser percebida como um ambiente seguro.

Nem sempre a criança conta o que está acontecendo

Existem muitos motivos para uma criança ou adolescente esconder situações de bullying.

Pode haver vergonha.

Medo de que os pais procurem imediatamente a escola.

Receio de que a situação piore depois que os colegas descobrirem que contou.

Alguns ainda acreditam que deveriam conseguir resolver sozinhos.

Outros pensam: “Se eu contar, vão achar que sou fraco.”

Também existem crianças que não conseguem identificar claramente aquilo que estão vivendo como bullying.

Elas apenas percebem que ir à escola se tornou cada vez mais difícil.

Quais sinais de bullying na escola os pais podem observar?

As mudanças podem acontecer no comportamento, no corpo, na rotina ou na maneira como a criança fala sobre si mesma.

Alguns sinais que merecem atenção são:

  • resistência repentina para ir à escola;
  • pedidos frequentes para faltar;
  • dores de barriga ou dores de cabeça antes das aulas;
  • choro antes de sair de casa;
  • queda inesperada no rendimento escolar;
  • perda ou dano frequente de materiais;
  • roupas ou objetos chegando danificados;
  • isolamento;
  • afastamento dos amigos;
  • irritabilidade maior do que o habitual;
  • alterações no sono;
  • pesadelos;
  • diminuição do apetite;
  • tristeza persistente;
  • ansiedade;
  • medo de determinadas aulas, locais ou horários;
  • mudança no caminho utilizado para chegar à escola;
  • comentários negativos sobre si mesmo;
  • perda de interesse por atividades que antes gostava.

Nenhum desses sinais, sozinho, confirma que existe bullying.

Mas mudanças persistentes ou vários sinais aparecendo ao mesmo tempo merecem investigação cuidadosa.

“Meu filho começou a não querer ir para a escola”

Esse costuma ser um dos sinais que mais preocupam os pais.

Uma criança que sempre frequentou a escola e começa subitamente a dizer:

  • “Estou com dor de barriga.”
  • “Não quero ir hoje.”
  • “Posso ficar em casa?”

pode estar tentando evitar alguma experiência que se tornou angustiante.

Isso não significa automaticamente que exista bullying.

Dificuldades acadêmicas, ansiedade, conflitos com professores, problemas de amizade e outras situações também podem provocar recusa escolar.

Por isso, antes de concluir, é importante tentar compreender o que mudou.

O corpo também pode mostrar que algo não está bem

Crianças nem sempre conseguem transformar emoções em palavras.

Às vezes, o corpo fala primeiro.

Dor abdominal, enjoo, dor de cabeça, dificuldade para dormir ou sensação de mal-estar podem aparecer especialmente nos dias de aula.

Os sintomas são reais, mesmo quando não existe uma causa física evidente naquele momento.

O sofrimento emocional também pode se expressar pelo corpo.

Se os sintomas aparecem repetidamente, além de investigar questões médicas quando necessário, vale observar em quais situações eles acontecem.

Mudanças na autoestima também merecem atenção

Uma criança ou adolescente que está sendo constantemente ridicularizado pode começar a acreditar em algumas das mensagens que recebe.

Frases como:

  • “Ninguém gosta de mim.”
  • “Sou estranho.”
  • “Eu não consigo fazer nada.”
  • “Todo mundo acha que sou feio.”
  • “Eu não tenho amigos.”

podem aparecer.

O bullying pode atingir justamente um período em que identidade e autoestima ainda estão sendo construídas.

Por isso, minimizar dizendo “não liga para eles” nem sempre é suficiente.

Para quem está vivendo a situação diariamente, simplesmente ignorar pode não ser tão fácil.

Adolescente sofrendo bullying pode parecer apenas distante

Na adolescência, os sinais podem ser ainda mais discretos.

O adolescente pode não chorar na frente dos pais.

Pode simplesmente fechar a porta do quarto, colocar o fone de ouvido e evitar conversar.

Pode ficar mais irritado, abandonar amizades ou começar a recusar situações sociais.

Também pode aumentar muito o tempo na internet ou nos jogos como uma maneira de se afastar do ambiente que está causando sofrimento.

Por isso, mudanças emocionais importantes não devem ser interpretadas automaticamente como: “É coisa da idade.”

A adolescência traz mudanças, mas sofrimento persistente merece atenção.

Cyberbullying: quando a agressão continua fora da escola

Hoje, situações iniciadas no ambiente escolar podem continuar no celular.

Grupos de mensagens, redes sociais, jogos online e perfis falsos podem ser utilizados para provocar, humilhar ou expor outra pessoa.

Isso faz com que a criança ou adolescente tenha dificuldade para encontrar um espaço de descanso.

Antes, talvez o sofrimento terminasse quando saía da escola.

Com o cyberbullying, ele pode continuar dentro de casa.

Por isso, mudanças relacionadas ao uso do celular também podem ser importantes.

O adolescente pode:

  • ficar extremamente ansioso depois de receber mensagens;
  • apagar rapidamente conversas;
  • abandonar redes sociais;
  • criar novas contas;
  • evitar mostrar o celular;
  • ficar angustiado após acessar determinados grupos.

O objetivo não deve ser vigiar cada conversa, mas estar disponível para perceber mudanças e construir uma relação em que o jovem consiga pedir ajuda.

Como conversar sem pressionar?

Quando os pais percebem mudanças, é comum perguntarem diretamente: “Alguém está fazendo bullying com você?”

Algumas crianças respondem. Outras dizem imediatamente: “Não.”

Pode ser mais fácil começar por perguntas abertas:

  • “Percebi que você não está querendo ir para a escola como antes. Aconteceu alguma coisa?”
  • “Como estão seus colegas?”
  • “Tem alguém na escola deixando você desconfortável?”
  • “Você tem se sentido seguro na escola?”

Também é importante evitar respostas que diminuam a experiência:

  • “Isso é brincadeira.”
  • “Você precisa aprender a se defender.”
  • “Não dê importância.”
  • “Na minha época era pior.”

Mesmo quando a intenção é fortalecer a criança, ela pode interpretar essas frases como: “Eu deveria conseguir resolver isso sozinho.”

O que fazer quando a criança conta?

O primeiro passo é ouvir.

Sem interromper imediatamente.

Sem culpá-la.

Sem perguntar por que ela não contou antes.

Pode ser importante dizer claramente:

  • “Obrigado por me contar.”
  • “Quero entender o que aconteceu.”
  • “Você não precisa lidar com isso sozinho.”

Depois, os responsáveis podem organizar as informações e conversar com a escola para compreender a situação e quais medidas serão adotadas.

Dependendo do caso, pode ser necessário envolver coordenação, direção e outros profissionais responsáveis pelo cuidado da criança ou adolescente.

O bullying pode deixar marcas emocionais?

Algumas crianças atravessam essas situações e conseguem recuperar a segurança rapidamente após receberem apoio.

Outras podem continuar apresentando medo, ansiedade, insegurança ou dificuldades de relacionamento mesmo depois que o bullying termina.

Isso acontece porque não é apenas a situação objetiva que importa.

Também importa como aquela experiência foi vivida.

Ser repetidamente humilhado, excluído ou ameaçado pode modificar a maneira como a criança passa a enxergar a si mesma e as outras pessoas.

Por isso, além de interromper o bullying, algumas crianças e adolescentes precisam de espaço para elaborar emocionalmente aquilo que aconteceu.

Quando procurar ajuda psicológica?

A psicoterapia pode ser considerada quando a criança ou adolescente apresenta sofrimento persistente ou mudanças importantes depois de situações de bullying.

Alguns exemplos:

  • medo intenso de ir à escola;
  • ansiedade frequente;
  • isolamento;
  • tristeza persistente;
  • queda importante da autoestima;
  • dificuldade para dormir;
  • crises de choro;
  • mudanças significativas na alimentação;
  • afastamento dos amigos;
  • abandono de atividades;
  • queda importante no rendimento;
  • sensação de culpa ou vergonha.

Também devem receber atenção imediata falas relacionadas a não querer viver, desaparecer, morrer ou machucar a si mesmo.

Nessas situações, o sofrimento não deve ser minimizado nem tratado apenas como uma dificuldade escolar.

Psicoterapia para crianças e adolescentes em Itapetininga

A psicoterapia oferece um espaço em que crianças e adolescentes podem expressar experiências que nem sempre conseguem contar diretamente aos pais.

Dependendo da idade, essa expressão pode acontecer pela conversa, desenhos, brincadeiras, jogos e outros recursos utilizados durante o acompanhamento psicológico.

O objetivo não é apenas falar sobre o bullying.

É também ajudar a criança ou adolescente a compreender o que sente, recuperar segurança emocional, fortalecer a autoestima e reconstruir formas mais saudáveis de se relacionar.

O acompanhamento dos responsáveis também pode ser importante para orientar como acolher e acompanhar a situação.

Leitura complementar
Mudanças de comportamento, medo, isolamento e recusa escolar podem aparecer em diferentes formas de sofrimento emocional infantil. Conheça outros sinais que merecem atenção.

Ler sobre sofrimento psicológico infantil

Uma mensagem para os pais

Nem toda criança que não quer ir à escola está apenas “fazendo manha”.

Nem todo adolescente que se isola está simplesmente querendo ficar sozinho.

Às vezes, uma mudança de comportamento é a forma possível de dizer: “Alguma coisa não está bem.”

Antes de perguntar apenas: “Por que você não quer ir para a escola?”

talvez seja importante acrescentar:

“Tem alguma coisa acontecendo lá que está fazendo você sofrer?”

E deixar claro que, qualquer que seja a resposta, ele não precisará enfrentar aquilo sozinho.

— Ana Paula Aparecida Vieira | Psicóloga Clínica (CRP 06/217114)
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