Ana Paula Aparecida Vieira

Psicóloga Clínica em Itapetininga | CRP 06/217114

Adolescente usando o celular em momento de reflexão, representando comparação nas redes sociais e autoestima

Nas redes sociais, adolescentes podem comparar a própria vida inteira com pequenos recortes da vida de outras pessoas.

Comparação nas redes sociais e baixa autoestima na adolescência

O adolescente pega o celular apenas para passar alguns minutos nas redes sociais.

Em pouco tempo, vê corpos considerados perfeitos, viagens, festas, relacionamentos, roupas, conquistas, rotinas produtivas e pessoas que parecem estar sempre felizes.

Então começa uma comparação silenciosa:

“Por que meu corpo não é assim?”

“Todo mundo tem mais amigos do que eu.”

“A vida deles parece muito melhor.”

“Eu nunca vou ser tão bonito, interessante ou bem-sucedido.”

As redes sociais fazem parte da vida de muitos adolescentes e podem ser espaços de diversão, informação, amizade e pertencimento.

O problema não está simplesmente em utilizá-las.

A atenção merece aumentar quando a comparação começa a interferir na forma como o adolescente enxerga o próprio corpo, suas conquistas, seus relacionamentos e o próprio valor.

Por que a comparação é tão intensa na adolescência?

A adolescência é um período de construção de identidade.

O jovem começa a se perguntar:

  • “Quem sou eu?”
  • “Como as pessoas me enxergam?”
  • “Onde eu pertenço?”
  • “Sou bonito o suficiente?”
  • “Sou interessante?”

Ao mesmo tempo, a opinião dos colegas e a necessidade de pertencimento podem ganhar grande importância.

É justamente nesse período que as redes sociais oferecem uma quantidade enorme de referências para comparação.

Antes, o adolescente se comparava principalmente com colegas da escola, amigos ou pessoas próximas.

Hoje, ele pode se comparar diariamente com centenas de pessoas.

E muitas dessas comparações acontecem com imagens cuidadosamente escolhidas, editadas ou produzidas.

Nas redes sociais, quase sempre vemos recortes

Uma fotografia não mostra o dia inteiro.

Um vídeo de alguns segundos não mostra todos os momentos daquela pessoa.

Uma postagem sobre uma conquista não mostra necessariamente as dificuldades que existiram antes dela.

Mesmo sabendo disso racionalmente, é fácil esquecer quando se passa muito tempo observando a vida dos outros.

O adolescente pode comparar a própria rotina inteira com o melhor momento de alguém.

O próprio corpo em dias comuns com uma fotografia escolhida entre dezenas.

As próprias inseguranças com uma imagem aparentemente confiante.

A própria vida real com uma versão selecionada da vida de outra pessoa.

Essa comparação dificilmente é justa.

Quando a comparação começa a afetar a autoestima?

Nem todo adolescente que utiliza redes sociais terá baixa autoestima.

O que merece atenção é a forma como ele começa a se perceber depois dessas experiências.

Alguns sinais podem aparecer:

  • insatisfação constante com a própria aparência;
  • comparação frequente com influenciadores ou colegas;
  • comentários negativos sobre o próprio corpo;
  • sensação de que nunca é bonito o suficiente;
  • necessidade intensa de aprovação;
  • ansiedade depois de publicar uma foto;
  • apagar postagens quando recebem poucas curtidas;
  • verificar repetidamente quem visualizou ou curtiu;
  • vergonha de aparecer em fotografias;
  • evitar situações sociais por insegurança;
  • dizer que a própria vida é “sem graça”;
  • diminuir as próprias conquistas;
  • sentir que todos estão vivendo melhor;
  • tristeza depois de passar muito tempo nas redes sociais.

O importante não é apenas quanto tempo o adolescente permanece conectado.

Também é importante observar como ele se sente enquanto utiliza e depois que sai das redes.

Curtidas podem começar a parecer uma medida de valor

Para alguns adolescentes, publicar uma fotografia pode deixar de ser apenas uma forma de compartilhar algo.

A reação das outras pessoas passa a funcionar como uma espécie de avaliação.

Quantas curtidas recebeu? Quem comentou? Quem visualizou? Quem não respondeu? Outra pessoa recebeu mais atenção?

Quando isso acontece, a autoestima pode começar a depender excessivamente de respostas externas.

Uma postagem com pouca interação pode ser interpretada como:

  • “Ninguém gosta de mim.”
  • “Não sou bonito.”
  • “As pessoas não se interessam por mim.”

Mas número de curtidas não mede afeto, amizade, beleza ou valor pessoal.

Mesmo assim, emocionalmente, essa separação nem sempre é simples para quem ainda está construindo a própria identidade.

A comparação com o corpo pode ser ainda mais difícil

A adolescência já é marcada por mudanças físicas importantes.

O corpo muda rapidamente e nem sempre no ritmo que o jovem gostaria.

Nesse momento, encontrar diariamente imagens altamente produzidas pode aumentar inseguranças.

Filtros, iluminação, poses, maquiagem, edição e até procedimentos estéticos podem fazer com que algumas imagens pareçam representar uma realidade comum.

O adolescente pode começar a acreditar que deveria se parecer daquele jeito o tempo inteiro.

E então surge a sensação:

“Tem alguma coisa errada comigo.”

Por isso, comentários frequentes de rejeição ao próprio corpo merecem atenção.

Quando a comparação não é apenas sobre aparência

A comparação nas redes sociais também pode envolver:

  • quantidade de amigos;
  • relacionamentos amorosos;
  • viagens;
  • roupas;
  • desempenho escolar;
  • festas;
  • popularidade;
  • dinheiro;
  • estilo de vida;
  • talentos;
  • conquistas pessoais.

O adolescente pode olhar para diferentes perfis e concluir que está sempre atrasado.

“Todo mundo namora, menos eu.”

“Todo mundo sai mais.”

“Todo mundo é mais bonito.”

“Todo mundo sabe o que quer fazer da vida.”

A sensação de estar ficando para trás pode aumentar ansiedade, insegurança e autocrítica.

Redes sociais também podem aumentar o medo de ficar de fora

Existe outro fenômeno comum entre adolescentes: perceber que amigos participaram de algo do qual ele não fez parte.

Uma fotografia de uma festa, encontro ou passeio pode despertar perguntas como:

  • “Por que não me chamaram?”
  • “Será que não gostam mais de mim?”
  • “Estou sendo excluído?”

Às vezes realmente existe um problema nas relações.

Em outras situações, a postagem não representa toda a história.

Mas para o adolescente que já está inseguro, aquele conteúdo pode reforçar sentimentos de rejeição e inadequação.

“Meu filho passa horas no celular. Devo simplesmente tirar?”

Estabelecer limites pode ser necessário.

Mas apenas retirar o celular sem compreender o que acontece ali pode transformar o problema em uma disputa entre pais e filhos.

Antes de conversar apenas sobre tempo de tela, pode ser importante perguntar:

  • “Como você costuma se sentir depois de ficar nas redes?”
  • “Tem algum conteúdo que faz você se sentir pior consigo mesmo?”
  • “Você costuma se comparar com as pessoas que segue?”
  • “Já deixou de fazer algo porque ficou inseguro depois de ver alguma postagem?”

Essas perguntas podem abrir uma conversa muito diferente daquela que começa com: “Você fica nesse celular o dia inteiro.”

Como os pais podem ajudar?

Não é necessário conhecer todas as redes sociais para conversar sobre o assunto.

O mais importante é demonstrar interesse sem ridicularizar aquilo que é importante para o adolescente.

Algumas atitudes podem ajudar:

  • evitar comentários constantes sobre peso e aparência;
  • não comparar o adolescente com irmãos ou colegas;
  • conversar sobre filtros, edição e recortes das redes;
  • valorizar habilidades e características que não estejam ligadas à aparência;
  • incentivar atividades fora das telas;
  • observar mudanças importantes de humor;
  • conversar sobre quem ele acompanha nas redes;
  • estimular uma relação mais crítica com o conteúdo;
  • mostrar que não é preciso estar disponível online o tempo inteiro.

Os próprios adultos também servem como referência.

Quando pais passam grande parte do tempo comparando corpos, vidas ou conquistas, os adolescentes percebem.

Talvez seja necessário mudar também quem aparece na tela

Às vezes, o problema não é apenas usar a rede social.

É o tipo de conteúdo consumido repetidamente.

Se determinados perfis fazem o adolescente sentir que nunca é bonito, produtivo, popular ou bem-sucedido o suficiente, pode ser útil refletir:

“Por que continuar acompanhando algo que sempre faz você se sentir pior?”

Organizar o próprio ambiente digital também é uma forma de cuidado.

Deixar de seguir determinados perfis, silenciar conteúdos e buscar referências mais diversas pode reduzir parte dessa comparação constante.

Quando a baixa autoestima começa a afetar outras áreas?

A preocupação aumenta quando a insegurança deixa de estar restrita às redes sociais.

Por exemplo, quando o adolescente:

  • evita encontrar amigos;
  • não quer aparecer em fotografias;
  • deixa de participar de atividades;
  • acredita constantemente que será rejeitado;
  • demonstra vergonha excessiva da própria aparência;
  • apresenta ansiedade intensa em situações sociais;
  • diminui todas as próprias qualidades;
  • passa a falar de si com desprezo;
  • muda hábitos alimentares de forma preocupante;
  • demonstra tristeza persistente.

Nesse momento, pode existir um sofrimento emocional que merece ser compreendido com mais cuidado.

Ansiedade e autoestima podem aparecer juntas

Baixa autoestima e ansiedade podem se alimentar mutuamente.

O adolescente se sente inseguro. Então começa a se preocupar com o que os outros pensam. Passa a observar mais as reações das pessoas. Compara-se ainda mais. Fica mais ansioso.

E essa ansiedade reforça a impressão de que existe algo errado consigo.

Romper esse ciclo pode exigir mais do que simplesmente dizer:

“Você precisa se valorizar.”

Para quem está vivendo uma relação muito crítica consigo mesmo, isso nem sempre é simples.

Quando procurar ajuda psicológica?

A psicoterapia pode ser considerada quando a comparação, a insegurança ou a baixa autoestima começam a provocar sofrimento frequente.

Especialmente quando aparecem:

  • autocrítica intensa;
  • ansiedade;
  • isolamento;
  • tristeza persistente;
  • vergonha da própria aparência;
  • medo exagerado de julgamento;
  • necessidade constante de aprovação;
  • dificuldade para se relacionar;
  • prejuízo na escola ou na vida social;
  • sofrimento importante relacionado ao corpo.

O acompanhamento psicológico pode ajudar o adolescente a compreender de onde vêm algumas inseguranças e a construir uma relação menos dependente da aprovação externa.

Psicoterapia para adolescentes em Itapetininga

A adolescência é um período em que muitas perguntas sobre identidade, pertencimento e valor pessoal começam a ganhar força.

Na psicoterapia, o adolescente pode falar sobre comparações, autoestima, corpo, amizades, rejeição, ansiedade e outras questões sem precisar apresentar uma versão perfeita de si mesmo.

O objetivo não é ensinar o adolescente a “não ligar para nada”.

É ajudá-lo a compreender suas emoções e desenvolver uma percepção de si que não dependa exclusivamente daquilo que aparece na tela ou da aprovação de outras pessoas.

Leitura complementar
A autoestima na adolescência pode ser afetada por insegurança, comparação e autocrítica. Conheça também conteúdos sobre autoestima e autoconhecimento.

Ler sobre autoestima

Uma mensagem para os adolescentes

Talvez você esteja comparando os seus dias comuns com os melhores segundos da vida de alguém.

Talvez esteja olhando para o seu corpo real e comparando com uma fotografia escolhida, posicionada, iluminada e editada.

Talvez esteja medindo a sua vida pelo número de pessoas que parecem estar na frente.

Mas nenhuma rede social consegue mostrar uma pessoa inteira.

E você também é muito maior do que aquilo que aparece em uma fotografia, em uma curtida ou em uma comparação.

Seu valor não precisa ser calculado pelo que a tela devolve para você.

— Ana Paula Aparecida Vieira | Psicóloga Clínica (CRP 06/217114)
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